Corpus Christi


1 – Eucaristia: Deus caminha com seu povo

Moisés se coloca diante do povo e lembra a travessia do deserto. Naquele dia, Moisés estava diante de uma assembléia como a nossa e começou a lembrar a travessia pelo deserto, que durou 40 anos. Um tempo de muitas humilhações, perigos, cuidados dos escorpiões e serpentes ameaçando suas vidas. Por que Moisés fez falou ao seu povo? Para que o povo tomasse consciência da proteção divina durante toda a travessia do deserto. Acontece o mesmo conosco, na Missa, quando lembramos nossa travessia no deserto da vida. Lembramos as provações, as humilhações, tantos escorpiões e serpentes que nos agridem e avançam contra nós, especialmente neste tempo de crise econômica. Lembramos como temos fome de viver bem, ter uma vida mais serena. No final de sua homilia, Moisés lembra que o povo só conseguiu atravessar o deserto graças ao Senhor, que caminhava com ele e o protegia contra todos os perigos.

2 – A carne de Jesus é alimento para a eternidade

Outro momento de recordação está no Evangelho de João 6,51-58,, quando Jesus também recorda o maná que chovia no deserto para alimentar o povo. Também falava da proteção divina e de como Deus alimentava seu povo, enquanto caminhava pelo deserto. Jesus lembra o maná para mostrar que o alimento que ele oferece é diferente e superior. A diferença consiste em que o maná, mesmo vindo do alto, não era capaz de impedir a morte, embora servisse para refazer as forças físicas dos caminhantes. O alimento de Jesus, ao contrário, livra da morte e garante a caminhada na vida até a vida plena, que é a vida eterna. Eu fico pensando como nós nos alimentamos de tantos “manás”, hoje em dia. Muitos são bons, mas não garantem a vida plena, porque servem apenas para alimentar o corpo, alimentar sonhos, alimentar fantasias de riqueza e sucesso. Não digo que não precisemos destes alimentos, mas é preciso variar a alimentação de nossas vidas com um alimento que produza vida eterna em nós.

3 – Eu sou o alimento

Alimentar-se de Jesus, alimentar-se com o alimento — o pão e o vinho — que o Senhor nos oferece na Eucaristia, é alimentar-se com a vida plena. Quem se alimenta desse pão e bebe esse vinho come e bebe a vida divina, que é o próprio corpo e sangue do Senhor. Mas isso nem sempre é bem compreendido. Não foi bem compreendido no momento em quem Jesus fez este discurso e continua não sendo compreendido em nossos dias. Como naquele tempo, muitos consideram um discurso mitológico e o abandonam; tantos sequer o procuram. Mesmo assim, Jesus não perde tempo com explicações e argumentações para convencer, mas insiste na confirmação: “meu corpo é alimento”. A Eucaristia é a mesa onde nós nos alimentamos com o carne de Jesus, com a vida divina. As explicações, as teologias, as doutrinas… vieram depois. Jesus se limita a afirmar, a confirmar e a garantir: “minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida”. Este é o alimento que temos à disposição e que devemos aproveitar para nos alimentar com a vida divina, para que nos tornemos divinizados, santificados com a santidade de Deus. Aproximar-se da Mesa da Eucaristia porque Jesus coloca uma única alternativa: “se não comerdes e não beberdes, não tereis a vida em vós”. Em resumo: a condição para se ter vida, para viver plenamente, está na Eucaristia.

4 – Comunhão com o Corpo de Jesus

Quando comungamos a Eucaristia a vida divina começa a fazer parte de nossas vidas humanas. A vida de Jesus começa a fazer parte da minha vida e eu, que comunguei a Eucaristia, começo a ficar divinizado. Quem impede a divinização é o pecado, as maldades que sempre rejeitam Deus, que sempre expulsam Deus de nossas vidas. Quando eu comungo, levo Jesus comigo, ele se torna minha própria vida, assim como um alimento que começa a fazer parte do meu corpo. Se é assim, então é preciso se perguntar: — o que faço com a minha vida? Conheço tantas pessoas que fazem dieta para emagrecer ou para engordar sem resultado algum. São pessoas impedidas de comer alguns alimentos, mas não se agüentam e comem e, é claro, a dieta não produz nenhum efeito e, por isso, desanimam e alguns se deprimem. Assim como o alimento produz feito no nosso corpo aos poucos, da mesma forma, o alimento divino vai produzindo vida divina em nós aos poucos. Assim como muitos que fazem dieta são incapazes de renunciar a alguns alimentos, muitos de nós somos incapazes de renunciar ao pecado, de renunciar a caminhos que não condizem com o Evangelho e, nestes casos, o alimento divino não faz efeito em nós. Assim é quando nos alimentamos da Eucaristia. Se não vivemos como o Evangelho ensina, não mudará nada. O alimento é bom, mas precisamos oferecer condições para que ele produza efeito em nossas vidas.

Fonte: Texto o Padre Joãozinho.