Ascensão do Senhor: início da atividade missionária da Igreja


 

Igreja Celebra a Ascensão do Senhor neste final de semana.

O Mistério da Ascensão de Jesus ilumina de modo mais intenso a reflexão da nova evangelização que nos acompanha em todo o Tempo Pascal. Na Ascensão de Jesus, nós nos encontramos com o início da atividade missionária da Igreja, o momento que marca o envio missionário da Igreja a todas as partes do mundo para anunciar o Evangelho. O protagonista da missão evangelizadora é o Espírito Santo, o Espírito que o ressuscitado envia como dom à sua Igreja. É o Espírito Santo que nos faz discípulos e discípulas do Evangelho, condição indispensável para ser evangelizador, testemunha da Ressurreição de Jesus.

Uma primeira característica do evangelizador é sua capacidade contemplativa. A cena está descrita no momento da Ascensão de Jesus, quando os discípulos permanecem por algum tempo olhando para o céu, com alguma esperança que a nuvem seja soprada pelo vento e permita que Jesus possa ser visto novamente. Uma cena que é comumente interpretada como passividade, mas que pode abrir nossa compreensão para a importância da contemplação na missão evangelizadora. A contemplação é um momento de “pausa restauradora” para um novo despertar evangelizador; a contemplação é o antídoto do ativismo, é o momento no qual o evangelizador assume e se impregna da mentalidade do Evangelho.

Uma segunda característica do evangelizador é a sua consciência de pertença à Igreja. Ele não evangeliza por conta própria, mas enquanto membro da Igreja, definida por Paulo como “corpo de Cristo” animada por um único Espírito, o Espírito Santo de Deus. O conceito de unidade também é importante para a atividade evangelizadora, não enquanto convergências de ideias, mas de unidade na fé. O modo de viver a unidade na fé é multiforme. A cada um é dado um dom de Cristo para construir o seu corpo. Por isso, a diversidade dos dons fortalece a unidade na fé, a condição para se acolher o Espírito de Deus e evangelizar servindo-se de
diferentes dons. A nova evangelização, portanto, será tanto mais frutuosa quanto mais diversificada forem suas atividades.

A Ascensão de Jesus, por fim, evidencia sua separação, mas não sua ausência. Isso significa que com a Ascensão tem início novos modos da presença de Jesus entre nós. Um deles é pela atividade evangelizadora, motivo pelo qual, ninguém é evangelizador fora da Igreja… o evangelizador nutre-se da seiva de Jesus-videira, vive no amor de Jesus, faz parte do corpo eclesial. Ele não é publicitário do Evangelho, não faz propaganda de ideias, mas testemunha a presença de Jesus através de sinais que acompanham seu testemunho evangelizador, em todas as partes, até os confins do mundo. O sucesso da evangelização, portanto, não depende do evangelizador, mas da união que ele mantém com Jesus, condição para que o Senhor possa confirmar o anúncio com sinais, milagres.

Texto do Padre Joãozinho.