Pentecostes: Vinde Santo Espírito!


Jesus sopra o seu “ar” nos discípulos

Não existe nenhum segredo que precisamos de ar para viver e sobreviver. O “ar”, na Bíblia, indica a
presença da vida divina. Assim lemos nas primeiras páginas da Sagrada Escritura, no livro do Genesis,
quando Deus, depois de criar o homem e a mulher, sopra neles o seu respiro, o seu “ar”; quer dizer, a
sua própria vida; vida que se manifesta como Espírito (Gn 2,7). Por isso, mais importante que discutir se
o homem nasceu de um boneco de barro ou se a mulher foi feita da costela do homem, é importante
destacar que a vida humana é o respiro divino que respira dentro de cada um de nós. O salmista
cantava: “se tirais o seu respiro elas perecem e voltam para o pó de onde vieram”. João, no Evangelho,
não fala de língua de fogos, como no texto de Lucas, na 1ª leitura, mas de “ar”, de sopro. “Jesus soprou
sobre eles e disse: recebei o Espírito Santo!” “Soprou sobre eles”. O Espírito Santo que Jesus coloca
em seus discípulos é o seu sopro divino; é o “ar”, é Deus respirando em nós.

O encontro com Deus acontece no silêncio

Se o “ar” desaparecer de nossa vida, morreremos. Se o ar está contaminado, como também sabemos,
nossas condições existenciais tornam-se críticas e começamos a correr risco de morte. Tudo isso
ajuda-nos compreender a importância do símbolo “ar” e do simbolismo da “respiração” para indicar a
presença de Deus em nós. Assim como a presença do “ar” em nossas vidas é silenciosa, da mesma
forma, a presença divina em nós é silenciosa. Por isso, o silêncio é o espaço onde o meu eu se
encontra com o Espírito de Deus. O símbolo do “ar” ajuda-nos também a avaliar o que respiramos, que
vida respiramos dentro de nós. Quem tiver em si o “ar” divino, a presença de Deus, não vive sufocado,
ao contrário, vive livre porque a vida flui em quem respira Deus.

Que ar estamos respirando?

Conhecemos, pela experiência, que a falta de “ar” produz sofrimento e gera agonia na pessoa. Pessoas
que vivem sufocadas, sem ar, perdem o controle de si mesmas; perdem a consciência, perdem o
sentido e a orientação da vida. Aqui, chegamos ao momento prático de nossa reflexão, que nos leva a
questionar a qualidade do ar que respiramos em nossas comunidades, o ar que respiramos em nossas
famílias e o ar que respiramos dentro de nós. O sufocamento, seja existencial, emocional, até mesmo
financeiro ou profissional, presente em nossas casas ou dentro de nós, é uma indicação de que o ar
que nos mantém vivos não é de boa qualidade. Na maior parte das vezes é indicativo da falta do “ar”
divino, é ausência do Espírito Santo de Deus respirando em nós, em nossas famílias ou em nossa
comunidade. Viver sufocado não é bom, mas se deixar sufocar é indício de insensatez ou, do ponto de
vista positivo, é motivo para invocar a presença do sopro divino para a vida pessoal. Invocar a presença
divina para respirar dentro de nós, para trazer uma nova brisa em nossas famílias ou um vento
renovador em nossas comunidades. Pedimos o ar sempre novo do Espírito Santo, que se revela e age
pelos sete dons: Sabedoria, Entendimento, Ciência, Conselho, Fortaleza, Piedade e Temos de Deus.

Por isso, suplicamos sempre: Vinde, Espírito Santo, e renovai a face da terra, o coração, a mente a vida
das pessoas.

Fr. Ladi Antoniazzi.