Quarta-feira de cinzas: Frei Clauzemir faz proposta aos fiéis durante a missa

Quarta-feira, dia 06 de março. Dia das cinzas e a igreja impetuosamente decorada de roxo; cor da penitência.

A celebração é iniciada com um misto de emoções. Pessoas que se lembram dos seus entes queridos e choram; crianças que permanecem na inocente ignorância, distribuindo sorrisos aos outros.

Quando a primeira leitura começa, a comunidade se mantem atenta. Palavras sobre rasgar os corações e voltar seu foco para Deus, com lágrimas e pecados, conquistas e alegrias.

O salmo é cantado em uma melodia suave, firmando a palavra “misericórdia”. Fala sobre nossos pecados e o perdão que tanto ansiamos receber. Na cabeça daqueles que povoam a santa missa, apenas uma palavra: Conversão. Palavra essa que, segundo Frei Clauzemir, nos assusta. Soa como obrigação; deixar de lado o que nos alegra para nos tornarmos aquilo que outro diz ser o certo. Mas não é isso que se trata.

Durante a homilia ele explica: “Conversão se trata de cada um de nós revermos para onde estamos indo. Em que ponto fixamos nosso olhar? Aquele olhar que sonha. Onde nosso coração anseia se dirigir?” E então, a simples resposta vem logo após a reflexão: “Voltar nossa vida para um Deus que sonha em nos ver felizes, com a vida plena e de verdade. Parar de insistir naquilo que nos faz mal.”

Para seguir este caminho de conversão, o Frei ainda ressalta que existem três exercícios indispensáveis: Jejum, caridade e oração. Mas o jejum não se trata apenas de parar de comer o que gostamos. Na caridade não há retorno. E a “ação” da palavra oração também tem muita importância.

Com bom humor, o Frei contou que um dia, em outra igreja, propôs a comunidade que jejuasse falar mal dos outros e ninguém quis se comprometer. Ele ainda explicou que se o seu jejum é algo como “parar de comer chocolate”, ok, mas pediu que repensássemos o motivo que nos fez escolher isto; o que irá mudar na nossa vida. E então, para o jejum, fez uma nova proposta: “Vamos fazer jejum de ter razão em tudo, para lembrarmos que o outro é mais importante do que ter a palavra final.”

Para a oração, nos pediu que fizéssemos tudo da melhor forma possível, entregando nossa dedicação até mesmo nas coisas simples do dia a dia. E para a caridade, algo tão simples, mas que para nós se tornou complicado. Não esperar nada em troca das boas ações, pois nossa recompensa é ver o outro feliz. A maior dificuldade do amor nos dias de hoje é justamente a cobrança da reciprocidade. Deus não nos cobra nada, Ele apenas nos ama. O princípio do perdão está em quem o oferece. “Você não ajuda o próximo para se tornar bom. Você é bom porquê se importa com ele.” Completou o Frei.

A homilia terminou com o apelo do Frei para que tenhamos mais bom senso em fazer o que é certo até quando ninguém olha. Pois receber as cinzas é um sinal de que desejamos ser mais humildes. Pondo as mãos sobre as cinzas, ele pediu que todos orassem juntos por aqueles que amamos e aqueles que deveríamos amar mais.

As filas começaram a se formar nos corredores e os ministros se dirigiram até os fieis com os potes de cinzas na mão, derrubando sobre a cabeça de cada um que se coloca em sua frente e, em silêncio, fazia sua promessa a Deus. Esta mesma promessa foi mais uma vez confirmada durante a comunhão, quando a comunidade recebeu a Eucaristia e disse “amém”.

Assim como desejou o Frei Clauzemir, oramos para que nesta quaresma nosso foco se volte para Deus, nosso coração se volte para o amor e nossas orações sejam um compilado de palavras e atitudes.

“O pó retorne à terra, de onde veio, e o espírito volte a Deus, que o concedeu.” Eclesiastes 12,7

Por Amanda Macuglia

Fotos: Amanda Macuglia.