Corpus Christi: o céu na Igreja Matriz Santa Inês

O dia amanhece em silêncio. A caminho da igreja, escuto apenas o balançar das folhas das árvores e o suave canto dos pássaros. Na cidade que nunca para, que nunca desliga, que nunca descansa, não ouço um ruído sequer. É como se toda a criação se curvasse diante daquele que era, que é e que ainda há de ser. Ao chegar na igreja, me deparo com uma cena que – para mim – é a que melhor descreve o céu. Fiéis em silêncio, ajoelhados, diante do Santíssimo Sacramento, que repousa suavemente sobre o altar. É como se Jesus estivesse de braços abertos, sorrindo e dizendo a todos que por ali passam: entrem, meu filhos, venham descansar na minha presença.

O silêncio é interrompido por um canto suave, que exalta toda a divindade daquele pequeno pedaço de pão. Após algumas orações, o Santíssimo é retirado e o altar é preparado para a Celebração Eucarística. O canto de entrada resume em poucas palavras toda a simbologia daquele dia tão santo. “Somos a igreja do pão. Do pão repartido, do abraço e da paz.” De fato, estamos reunidos como comunidade, pois sabemos partilhar o pão com o próximo.

As leituras, o salmo e o evangelho, lembram que Cristo é o nosso sumo sacerdote, que se fez pão para alimentar toda a humanidade, assim como Ele mesmo alimentou a multidão com aqueles cinco pães e dois peixes. Na homilia da missa do meio dia, Frei Lindolfo Jasper alerta os fiéis sobre o verdadeiro sentido da Eucaristia, lembrando que a celebração deste dia tão especial só é completa quando deixamos de lado os sentimentos de arrogância e desunião.

Ao final da missa, o Santíssimo Sacramento é trazido novamente para o altar. Após uma oração conduzida pelo frei, é dada a bênção solene, que encerra aquele momento celebrativo. Muitas pessoas se aproximam do altar para tocarem o ostensório que expõe o próprio Deus Eucarístico. Fico na igreja por mais alguns instantes e sou convidado a conduzir a adoração pelos próximos minutos. Convido os presentes a rezarem o santo terço na intenção da nossa comunidade, da cidade de Balneário Camboriú, do Brasil, das famílias e daqueles que não creem no Cristo.

Ao terminar a oração todos são surpreendidos por uma humilde senhora, que me pede o microfone para deixar uma mensagem. Emocionada e com os olhos fixos no ostensório, ela explica o tão grande mistério do amor de Deus, que muitas vezes não somos capazes de entender. A mulher agradece várias vezes a Jesus por ter se deixado como pão para nós e, ao final, convida a todos a fazerem o mesmo.

Encerro o momento com um canto e passo o microfone para o próximo grupo, que já estava pronto para conduzir a oração. Durante nove horas consecutivas, esse foi o clima na igreja Santa Inês: joelhos no chão, o silêncio confortador no ar, milhares de agradecimentos depositados aos pés do Santíssimo e Jesus, que humildemente acolhe a cada um, nos mostrando que o céu está mais próximo do que podemos imaginar.

Texto: Luiz Turati / Fotos: Nathan Pereira